Revista Trimestral da Aitiara Escola Waldorf

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Escola Aitiara, Pedagogia Waldorf, rudolf steiner

Época Outono Páscoa

Mentira, Páscoa e Verdade

Renato Gomes pai de aluna do 9o ano | Edição #22 Março 2017 | Outono Páscoa

Nos últimos meses, em todo o mundo, surgiram, através dos meios de comunicação, inúmeras vozes que chamaram a atenção para um fenômeno crescente na atualidade: a difusão massiva de notícias falsas e mentirosas.

Hoje em dia as pessoas têm acesso rápido e fácil a redes de comunicação de alcance global. Este fato em si é algo surpreendente e maravilhoso. A situação se torna porém irresponsável, quando estes veículos de informação são usados – consciente ou involuntariamente – para espalhar informações que carecem de qualquer fundamento. Tanto mais grave quando as notícias veiculadas aludem a personalidades ou líderes de projeção local, nacional ou internacional. Apenas como exemplo citemos a polêmica veiculação de boatos e de notícias falsas que acompanhou a recente campanha presidencial nos Estados Unidos. Há quem relacione o resultado das eleições naquele país em parte aos efeitos deletérios alcançados pelos fatos inverídicos divulgados pela mídia local. Casualidade? São apenas fatos isolados ou surgiram a partir de concretos interesses em manipular a opinião pública?

Em nosso país também poderíamos buscar exemplos similares... A coisa por aqui não anda por caminhos tão diversos...

Independente da coloração política ou ideológica de cada um, penso que seja uma bandeira de aceitação ampla, levantar a questão da veracidade, naquilo que informamos ou naquilo que desejamos saber. 

Num mundo tão globalizado e interconectado são inumeráveis as possibilidades de conhecimento que se abrem ao homem moderno. É preciso vir à luz a verdade dos fatos, sejam eles agradáveis ou não. É sempre sinal de uma atitude retrógrada querer ocultar a verdade para fazer valer benefícios próprios indevidos ou para não esclarecer o que precisa ser esclarecido.

Muitos com certeza recordarão as palavras dos antigos quando diziam: “A verdade dói!”

Talvez seja interessante aqui comparar a verdade com o fogo. No momento que expomos uma substância ao calor, algo acontece. No caso, por exemplo, de um minério, é justamente pela ação do fogo que conseguimos separar o puro metal da escória. Se não conhecêssemos esta técnica, jamais poderíamos obter os metais a partir da Natureza.

O efeito purificador do fogo possibilita que a essência do mineral apareça.

Tal processo não pode acontecer sem esta forte e dramática intervenção. Na siderurgia ninguém pensaria em abrir mão de tal tecnologia, desenvolvida e aprimorada ao longo de séculos. Na vida social, contudo, nem sempre o fogo purificador da verdade é bem-vindo ou tido como benfazejo, pois uma vez que ele atiça, o processo se torna incômodo, doloroso, mas ao mesmo tempo começa a se separar o essencial da escória, fruto de inverdades.

Estamos nos aproximando da época de Paixão e Páscoa, poderíamos tentar compreender o sentido destas festividades também a partir da ótica mencionada anteriormente.

Enquanto permanecemos na escuridão da mentira ou dos boatos inverídicos estamos presos na ignorância e na dor (paixão, do latim “passio”, que significa sofrimento). Acender o fogo purificador da verdade (ou pelo menos empreender a sincera busca por ele) permite passar da indefinição e inconsistência da “passio” para um terreno mais firme e mais lúcido. Orientar-se nesta direção significa Páscoa! 

 

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